Canhoteiro: o Garrincha da ponta-esquerda

Publicado por Jogo da Vitória em 19/08/2025
Foto: museudapelada

José Ribamar de Oliveira, o Canhoteiro: o “Garrincha da esquerda”

O futebol brasileiro é repleto de personagens marcantes, cujas histórias transcendem o campo e se tornam parte da cultura popular. Entre esses nomes está José Ribamar de Oliveira, mais conhecido como Canhoteiro, um dos pontas-esquerdas mais habilidosos e carismáticos da história do esporte no Brasil. Seu apelido, como o próprio nome sugere, fazia referência à sua perna dominante – a esquerda – e à maneira como encantava torcedores e confundia adversários com dribles desconcertantes.

Nascido em 24 de setembro de 1932, na cidade de Coroatá, no Maranhão, Canhoteiro cresceu em meio à pobreza. Sua infância foi marcada pela paixão pelo futebol, jogando descalço nas ruas e campos improvisados. Como muitos garotos de sua época, ele aprendeu a driblar e controlar a bola na base da improvisação, desenvolvendo uma técnica refinada que se tornaria sua marca registrada.

Primeira oportunidade

A primeira grande oportunidade surgiu quando se mudou para São Luís e passou a jogar pelo Moto Club do Maranhão. Lá, começou a chamar a atenção pelo talento incomum e pela ousadia em campo. Não demorou muito para ser observado por olheiros do Sudeste, o que o levou a se transferir para o São Paulo Futebol Clube em 1954.

No São Paulo, Canhoteiro encontrou o palco ideal para seu futebol artístico. Jogando aberto pela ponta-esquerda, tornou-se rapidamente um ídolo. Seu estilo irreverente lembrava o de Garrincha, o lendário ponta-direita do Botafogo, só que no lado oposto do campo. Assim, ganhou o apelido de “Garrincha da Esquerda”.

Habilidade hipnótica

Com dribles rápidos, arrancadas fulminantes e uma habilidade quase hipnótica para enganar marcadores, Canhoteiro foi peça fundamental no time do São Paulo durante a década de 1950. Entre 1954 e 1963, defendeu o clube em mais de 400 partidas, marcando mais de 100 gols – números expressivos para um jogador de sua posição. Seu futebol não era apenas eficaz, mas também um espetáculo à parte: ele jogava com leveza, muitas vezes rindo e brincando durante as partidas, algo que cativava ainda mais o público.

Além do São Paulo, Canhoteiro também teve passagens pela Seleção Brasileira. Estreou pela equipe nacional em 1955 e chegou a integrar o grupo que disputou as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 1958. Apesar de seu talento, não entrou na lista final por questões extracampo e por ser um jogador de personalidade imprevisível – algo comum na época, quando disciplina tática começava a ganhar peso.

Apresentações marcantes

Mesmo assim, suas apresentações com a camisa da Seleção foram marcantes, e muitos especialistas acreditam que ele poderia ter feito história no Mundial de 1958, ao lado de Pelé, Garrincha, Didi e outros craques.

No entanto, a carreira de Canhoteiro não foi apenas brilho e glória. Seu estilo de vida boêmio, o amor pelas festas e a falta de disciplina em alguns momentos prejudicaram seu rendimento e encurtaram sua trajetória. Em 1963, deixou o São Paulo e voltou a atuar em clubes menores, até encerrar a carreira alguns anos depois.

Aposentado dos gramados, Canhoteiro viveu uma vida simples e discreta, longe dos holofotes que um dia o acompanharam. Infelizmente, faleceu precocemente, em 16 de agosto de 1974, aos 41 anos, vítima de problemas de saúde agravados por complicações hepáticas.

Legado profundo

Apesar de sua curta carreira em comparação a outros craques, Canhoteiro deixou um legado profundo. No imaginário dos torcedores mais antigos, ele permanece como um símbolo do futebol arte – aquele jogado por prazer, com improviso e alegria. Sua habilidade em driblar adversários, o sorriso no rosto durante as jogadas e a capacidade de transformar uma simples partida em espetáculo o consagraram como um dos grandes pontas da história.

Atualmente, Canhoteiro é lembrado como um artista da bola, que jogava mais para encantar do que para seguir manuais táticos. Para o São Paulo, é um ídolo eterno; para o futebol brasileiro, um exemplo de que o talento e a irreverência podem conquistar corações e se tornar lenda.

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